all the time all the time...
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Se eu morrer novo,
Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra coisa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão -
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.

  "
Fernando Pessoa
"   Hoje eu acordei mais cedo e fiquei te olhando dormir, imaginei algum suposto medo para que tão logo pudesse te cobrir. Tenho cuidado de você todo esse tempo, você está sob o meu abraço e minha proteção. Tenho visto você errar e crescer, amar e voar, você sabe onde pousar. Ao acordar já terei partido, ficarei de longe, escondido, mas sempre perto, decerto, como se eu fosse humano, vivo, vivendo pra te cuidar, te proteger, sem você me ver, sem saber quem sou, se sou anjo, ou se sou seu amor. Afinal, quem eu sou? Seu anjo ou seu amor? Tenho asas? Anjos protegem, cuidam, aparecem invisíveis. Humanos também quando amam. Quero dizer que já não importa saber de onde venho, se tudo que sou pra você é amor. E se ainda assim quiser voar, te levo comigo, te mostro as estrelas, outros alados, Deus, a vida celeste. Depois voltaremos pra casa e mais uma vez, humanos, nos amarmos até morrermos, pra dizer que é seu o anel. Sou o seu amor na terra e seu anjo no céu.   "
Saulo Fernandes
"   Essa obrigação de ser feliz paradoxalmente nos deixa cada vez mais infelizes.   "
 As Virgens Suicidas
"   O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.   "
Fernando Pessoa
VELHO PESSIMISTA

“Eu sou pessoalmente pessimista. Eu tô na linha dos velhos pessimistas. Eu acho que a vida é um minuto. O ser humano completamente desprezado, nasce e morre. Então o sujeito tem que olhar pro céu e sentir que é pequenino, que tem que ser modesto, que nada é importante. A vida é um sopro, um minuto. Então não há razão pra esse ódio todo.

“Eu acho que tudo vai desaparecer. O tempo cósmico é muito curto. Me perguntaram outro dia: “o senhor não tem prazer em saber que mais tarde o sujeito vai passar e ver o trabalho que você fez”? Ah, mais tarde o sujeito vai desaparecer também. É a evolução da natureza. Tudo nasce e acaba. O tempo que isso vai perdurar é relativo.“ 

“Você olha pro céu e fica espantado. É um universo fantástico que nos humilha e a gente não pode usufruir nada. A gente fica espantado é com a força da inteligência do ser humano, que nasceu feito um animal qualquer, e hoje pensa, daqui a pouco está andando pelas estrelas, conversando com os outros seres humanos que estão por essas galáxias aí. Mas no fim, a resposta de tudo isso é isso: nasceu, morreu: fodeu-se.”

- Oscar Niemeyer

"   Desejo a vocês… Cheiro de jardim, namoro no portão, domingo sem chuva, segunda sem mau humor, sábado com seu amor. Viver sem inimigos, filme antigo na TV, ter uma pessoa especial e que ela goste de você. Rir como criança, ouvir canto de passarinho, sarar de resfriado, escrever um poema de amor que nunca será rasgado.   "
Carlos Drummond de Andrade. (via desnorteios)

(Fonte: nthngsrl, via viversentiramar)

"   Tudo vai melhorar de manhã, sempre melhora.   "
Cisne Negro (via thiaramacedo)

(Fonte: ritimizando, via thiaramacedo)

Amava sempre, todos os dias, as pessoas boas e ruins. Amava pura e se perdia, se vendia, se doava. Amava triste e sofria, depois amava feliz e a euforia compensava, de alguma forma, a tristeza de amar. Era a sua maneira de dizer que nunca mais amaria ninguém.